Almada para meninos e meninas com olhos de gigante, por Clara Castela

Março 1
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Vi tudo com olhos de gigante. Com olhos de menino. Percorri todas as salas e entrei em quase todas as obras. Perdi-me nos rostos, nos retratos, nos traços, nos gestos e movimentos, nas linhas, nas cores, nos desenhos, na escrita e na representação, na diversidade de homens que esse “menino de olhos de gigante” foi para o mundo e é para nós. Almada!

À sua maneira de ser moderno e à minha maneira de ser criança, quis tocar, cheirar e sentir cada quadro. Imperdível e imperdoável não levar as crianças a conhecer o homem, o pintor, o bailarino, o escritor, o poeta, o publicitário, o dramaturgo, o humorista, o boémio, o saltimbanco, o génio!

Entre cubismos e histórias, modernismos e desenhos, estudos e exposições, José Sobral de Almada Negreiros fala múltiplas linguagens e comunica(nos) muito do seu mundo, muito da sua história. A exposição conta muitas histórias. Descobri-las com as crianças é o desafio. Ampliem o olhar das crianças. Levem-nas a descobrir o mundo encantado de Almada.

Tudo nesta Exposição é para crianças. A dimensão das obras e a complexidade de linguagens são um convite ao despertar da curiosidade, do sentido estético, da literacia visual, e da ludicidade da cor, do traço, da forma e da função, da admiração e da vontade de se maravilhar tão premente nas crianças.

“Os olhos servem para devorar conhecimento, são uma interface para a apreensão do mundo, para a sua apropriação e transformação em arte.” Almada Negreiros

Nesta reflexão de Almada é bem visível a sua interpretação, tão genuína, tão pura, tão lúcida quanto inocente. E é nessa inocência que Almada pega as crianças ao colo e percorre cada cantinho da sua vida.

Surgirão certamente perguntas, porque cada obra conta uma narrativa. Desde a história de um retrato, às ilustrações para fábulas, das narrativas em movimento à história de “A Princesa dos sapatos de ferro”. Mas é com sapatos de lã, boca de perguntador e olhos de gigante que todas as crianças devem descobrir esta exposição.

Fica o convite.

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