Grande Maratona da Paternidade, por Clara Castela

Março 20
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Efetivamente começa com uma grande corrida. Quem consegue cortar a meta em primeiro lugar conquista o pódio da paternidade. Um título para a vida! Uma maratona, uma caminhada, trilhos que se desbravam, pedras no caminho, pontes que se ultrapassam, estradas sinuosas com paisagens de tirar o folego. É assim a grande aventura, de mochila às costas, carregada de fraldas, biberons, brinquedos, material escolar, roupa desportiva, portáteis, sonhos e preocupações. Na grande maratona da paternidade nunca se corre sozinho e ninguém ensina como se corre. Apenas se corre, por instinto ou puro instinto! Contrariamente a outras corridas de renome mundial, esta é uma maratona diária. O tempo corre ao ritmo da passada de um pai e acelera o coração a cada instante. O treino é diário e prescrito várias vezes ao dia. Uma corrida para o infantário, outra para a escola, para o pavilhão, para a aula de música, outra ainda para a faculdade, ainda outra para a porta da igreja, para o aeroporto, para a porta de casa esperando ansiosamente abraçar os netos, para…tantos lugares, quantos o coração é capaz de percorrer. Nesta maratona todos têm um número. Um cem número de vezes que se recebe visitas na cama de madrugada, um cem número de vezes que se visitou o pediatra, um cem número de palavras e frases feitas, daquelas que só os pais sabem construir ou instruir, ou intuir, um cem número de quilómetros de memórias de férias desgastantes e animadas, registadas em rolos Kodac e sorrisos areados. Um cem número de abraços e conquistas de uma vida que vai deixando pegadas do 18 ao 44 ou do 18 ao 39. Uma certeza, a tão aguardada medalha, surge feita de lata, aquela lata de Superbock que esteve religiosamente exposta na estante do quarto e que o pai sempre pensou que era de coleção. A medalha de chocolate que nunca saiu da camisa de linho que o pai mais gostava e que a mãe detestava engomar. A medalha de mérito escolar pelas constantes reuniões a que o pai foi chamado para falar das proezas do petiz que somava faltas na caderneta. A medalha de “Melhor Pai do Mundo” que recebe sempre a 19 de março e uma T-shirt a dizer “ Walking Dad”. A Maratona nunca acaba mas existem sempre metas, enquanto houver pais, e filhos e obstáculos, e passagens de testemunho e taças para erguer. Tchim-Tchim…Feliz Dia do Pai!

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