95 anos é obra!

Setembro 22
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Olá, olá! 95 anos é obra! Mil Beijinhos de parabéns para a minha querida Oma que faz hoje 95 anos.  “Oma” é como se diz avó em alemão. Nascida em Espanha, filha de pai alemão e mãe espanhola, viveu toda a sua infância no sul de Espanha, Mais tarde, na adolescência, mudaram-se para a Alemanha e anos depois vieram para Portugal, onde conheceu e se casou com o meu avô. Desde sempre teve muita presença na minha vida, morámos no mesmo prédio, a Oma no primeiro e nós no terceiro andar. Quando chegava da escola ficava com a minha avó até a minha mãe chegar do trabalho. Foi quem me ensinou a tabuada e estudou comigo diáriamente quando estava na primária. Sempre a lembro como uma mulher tipicamente alemã, um bocadinho fria, não dava muitos beijinhos, as regras eram para ser cumpridas e andava tudo na linha. Não havia facilidades ou desculpas, regras são regras, o que está no prato é para comer e até ao fim. “Se reclamas com o almoço voltas a comer o mesmo ao jantar”. Ainda hoje, em tom de brincadeira, digo às minhas filhas quando se estão a portar mal que vão para casa da Oma durante um mês para aprenderem a portar-se bem. Claro que não ia servir de nada, porque derrete-se toda com as bisnetas e elas fazem o que querem da bisavó.

É engraçado como a vida e a idade mudam as pessoas. Lembro-me da minha avó como uma mulher de pouco mimo e hoje em dia é muito mais ternurenta e carinhosa. Adoro quando as minhas piolhas se sentam à sua volta para ouvirem as mesmas histórias que eu ouvi quando era pequena. A sua história preferida é a dos 7 cabritinhos, contada com diálogos em espanhol, “pone la patita debajo de la puerta” é como dizem os cabritinhos ao lobo quando ele bate à porta. 🙂

Foi a Oma que me deu a conhecer Espanha, com quem passei o mês de agosto em Ayamonte durante toda a minha infância. Todos os anos a mesma rotina, ia a família toda para sua casa. Ficávamos na praia só até às 14h e íamos almoçar ao restaurante da praia, ou seguíamos directas para casa comer coquinas ou tortilhas- Todas as manhãs íamos ao mercado e ao super (como diz). Depois do almoço dormíamos a sesta para mais tarde corrermos todas os “passeos” e ruas sem carros. Para além das férias do verão também lá íamos sempre na Páscoa ver as procissões. Lembro-me de a ver acordada até às tantas da manhã pois queria ver o último andor a sair da igreja mais distante. Assim foi durante muitos e  muitos anos. Este foi o último. Não o da minha avó que faz hoje 95 anos! (95 anos muito sorridentes diga-se de passagem, está mais firme que muitas senhoras de 70). Mas fechou-se um capítulo importante quando este verão se encerrou para sempre a casa de Ayamonte.

Só quero chegar a esta idade se for para estar como a Oma. A cabeça já não é a mesma eu sei, mas anda na rua mais depressa do que eu, com aquele salero típico das espanholas. Vai todos os dias ao “super”, aliás, a vários “supers”, porque num o arroz é mais barato e no outro, a fruta é melhor.

Há dois anos foi assaltada na rua. Passou uma mota com dois homens e tentaram-lhe tirar a carteira. Se fosse comigo teria-a largado mas a Oma não ;), agarrou-a com unhas e dentes e acabou arrastada vários metros pelo alcatrão. Um drama assustador. Ficou com vários ossos partidos e foi operada de urgência ao braço. Nesse momento achámos que ia ser o princípio de um fim. É terrível dizer isto num dia destes mas imaginem o pânico que se gerou. A minha mãe levou-a para sua casa mas dois meses depois impôs que queria voltar para o seu canto. Dizia (e diz) que gostava de ser independente e preferia estar na sua casa- Resistiu. Resistiu e parece que até ficou mais forte. Já caiu mais 3 vezes mas não deixa ninguém tomar conta dela. Se lhe começam a telefonar muito desata a refilar pois “ninguém tem de andar a controlar a sua vida, era o que faltava!”

Adoro esta sua independência, energia, determinação e força! Apesar de já velhinha, mais recatada, espero que a sua presença desta forma saudável se mantenha durante mais anos. A contar histórias a mais bisnetos e a dar o ar da sua graça pelas ruas de Lisboa.

Termino este texto contando-vos apenas que no Natal passado a Oma dançou a Macarena (ensinada pelas minhas filhas). Das coisas mais divertidas a que já assisti até hoje!! Só visto!

Parabéns Oma!!

Beijinhos,
Mónica

 

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