Érro logo Existo…Ups! por Clara Castela

Novembro 7
No comments yet

Eu sabia que ao começar a escrever este artigo ia errar, mas umas linhas vermelhas em zig zag, que me aparecem por aqui a amparar as palavras, dão-me um certo conforto para continuar. Então aqui vai. Espero não estar errada quando vos disser que considero o erro uma imperfeição do Ser mas uma tentativa de perfeição do Humano. O erro é uma incapacidade do momento em que o nosso QI nos deixa KO! E deixa-nos KO porque não gostamos de falhar.

Existem erros de desempenho e erros de atitude. Ambos nos estimulam a encontrar soluções para os corrigir, aprendendo e melhorando a nossa prestação. O erro faz parte das nossas limitações e deve ser aproveitado como exercício da nossa reflexão, numa perspetiva de melhoria das nossas ações, dos nossos comportamentos e até mesmo da nossa personalidade e formação moral. Ninguém falha por vontade própria. Só erra quem age. Erra-se por desconhecimento, pela não experimentação, pela inércia. Só não erra quem não tenta, quem não se move, quem não arrisca, quem não inventa, quem não cria, quem não se predispõe a ser atuante. Lá está…erro logo existo! (agora escrevi corretamente 😉

E que importância tem o erro na formação moral e na aprendizagem das crianças?

Por um lado, o erro pode ser benéfico quando se torna promotor de novas aprendizagens e de desempenhos bem sucedidos. Por outro, o erro pode alimentar a negatividade, a baixa autoestima ou o insucesso, acima de tudo quando os erros são de desempenho. Quanto aos erros de atitude, estes podem ser promotores de uma consciência ética e moral e desenvolver nas crianças a sua inteligência emocional.

Regra geral a criança não gosta de falhar. Tudo depende da forma como se relaciona com o erro. Se a criança se apresenta confiante, com uma boa autoestima, feliz e “bem resolvida” supera o erro com relativa facilidade. Se entende o erro como um imprevisto, ou se entende o erro como uma afirmação de incompetência (ausência de sucesso) é claro que a sua autoimagem será afetada. No entanto faço uma advertência, deixem a criança errar! Segundo o neuropsicólogo Álvaro Bilbao, “uma das coisas fundamentais para educar é errar(…)”. A criança necessita de orientações e exemplos positivos para descobrir formas de solucionar os problemas evitando ou antecipando o erro. Também necessita de entender as regras estipuladas e a razão pelas quais elas existem. O erro deve ser corrigido com amor.

É fundamental que a criança esteja rodeada de pessoas que lhe sejam afetivamente significativas, que sejam serenas e discretas na forma como lidam com o erro, que sejam assertivas na sua correção e na sua resolução, que saibam fazer brotar nela o melhor de si. Assim, a criança acolherá o erro como um meio que lhe aponta um caminho e que a ajuda a lidar com situações erróneas de forma pacifica e consciente.

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Resolva esta operação (para sabermos que é humano) *