ESTOU REVOLTADA!

Novembro 18
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ESTOU REVOLTADA!!!

Olá a todas!

Acabei de chegar de um café, bem conhecido em Cascais, e estou revoltada!

Enquanto bebia o meu café, fui inundada por comentários que trocavam nas mesas em meu redor. E não é que comecei o dia a ouvir barbaridades que bem, ou mal, espelham a falta de noção que muitas pessoas insistem em ter sobre os tempos que vivemos…

Na mesa mais afastada, o tom de voz, de uma pré-adolescente, era grave e de grande drama. Estava muito infeliz pois a sua irmã tinha feito anos e tinha recebido um iphone, enquanto a própria ainda teria de esperar por Janeiro. Que triste que estava esta senhora menina com cerca de 12 anos…

Foi neste instante que reparei no pequenino cão que estava preso à porta do dito café. O querido canino tinha vestido um casaco de penas, cor de rosa. Para as mais incrédulas vou repetir: tinha vestido um casaco de penas cor de rosa! 

Mas pronto, tentei abstrair-me destes factores desinteressantes e que nada tinham a ver com o que eu ali fazia… Pensei eu!

Foi impossível não me arrepiar quando um casal, com os seus 50 anos, bem parecido e muito bem disposto, discutia, quase em tom irónico, as propinas “desonestas” que o Governo lhes impusera, para poderem assegurar o curso universitário do seu filho mais velho. Não consegui ouvir bem, mas julgo que mencionaram 700€/ano.

Imaginei que o valor a que se referiam lhes faria falta e que talvez até tivessem muitos filhos, resultando num peso astronómico no respectivo orçamento familiar. Quando de repente… o “pai” recebe um telefonema de um dos seus filhos (acabei por não perceber se seria apenas um ou mais…) e, orgulhosamente, em voz amplificada, pergunta ao filho como estão a correr as compras, com a namorada, em Nova Iorque. Perguntou ainda se o “homem” que a agência lhes tinha enviado era minimamente competente, pois caso contrário aconselhava o filho a fazer uma reclamação escrita na agência de viagens. “Vê lá se ele vos leva a bons restaurantes e às principais lojas (referindo alguns, para que todo o café confirmasse o seu know how nesta matéria).

Realmente a contradição foi revoltante e confesso que fiquei mesmo incomodada! Esta suposta viagem que fez questão de anunciar, a quem quis ouvir, deve corresponder a 6 ou 7 propinas anuais…imagino eu…

Resolvi levantar-me e dirigi-me à caixa para pagar o meu breve café. Tinha acabado de ter contacto com uma realidade muito desenquadrada com todo o meu dia-a-dia, valores e princípios. Pensei, no entanto, que temos de tentar entender os outros e respeitar as outras maneiras de pensar e viver… Enfim, tentei ser positiva relativamente a tudo isto ou, pelo menos, evitei ser negativa.

Só que por mais que eu tivesse tentado, parece que todos tinham tirado o dia para me desiludir… 🙁  Eram ainda 10h da matina e saí em passo acelerado, pois ainda tinha de ir ao Lidl antes de voltar a casa.

Quando, de repente, surge um jeap (não percebo muito de marcas, mas era um BMW X5 preto com a respectíva insígnia bem evidente), a grande velocidade, parque de estacionamento a dentro, sem qualquer cuidado ou respeito por quem o atravessava.

Assim que parou, os vidros abriram e lá dentro estavam 3 adolescentes, não deveriam ter mais que 16 anos, com latas de cerveja na mão e música aos gritos. Bêbados, a conduzir, sem carta de condução (imagino eu) e com um carro que deve custar muitas dezenas de milhares de euros.

Fugi! Fui-me embora e não voltei a olhar para trás. Acho que não volto àquele café tão cedo. Tenho pena, pois é dos únicos que está aberto aos Domingos, partir das 8h.

Cheguei ao Lidl e fui logo de encontro ao corredor das frutas. Tinha de comprar diferentes variedades para que não faltasse sobremesa durante a semana que se aproxima. Já na fila, com apenas 3 pessoas na minha dianteira, fui amontoando os cinco saquinhos com as peras, as laranjas, as maçãs, algumas bananas e dois cachos de uvas.

As senhoras que estavam mesmo à minha frente (mãe e filha), conversavam alegremente sobre a “gaja do Banco Alimentar”. Referiam-se, num formato vulgar, negativo e calunioso, à grande Isabel Jonet.

– “Então não é que aquela gaja veio à televisão dizer que não podemos comer bifes!”

E a mãe responde prontamente à filha: “Queres ver que agora nos vão começar a dar merda?!” Já temos que vir aqui ao Lidle comprar os frescos, qualquer dia nem carne nos dão, queres ver?”

Abstive-me de qualquer comentário ou consideração, mas preocupou-me a falta de compreensão real sobre, a já tão falada, entrevista da Isabel Jonet, ou até  a arrogância relativamente a quem lhes oferece ajuda (pelo que percebi recebem ajuda constante do Banco Alimentar). Mas, chocante, chocante foi ver as duas senhoras deixarem o parque do Lidl numa carrinha de alta cilindrada (só a gasolina deve custar…) .

Confesso agora, a todas vós, que estou muito revoltada, desiludida e até um pouco confusa com estas realidades paralelas à minha.

Não se empresta um carro a miúdos que não têm carta de condução, para que vão beber copos até de manhã. Não se oferece viagens de sonho, para depois apregoar que não concordam com o pagamento mínimo de umas propinas. Não se morde a mão que nos dá de comer (refiro-me aos comentários das senhoras ajudadas pelo Banco Alimentar). Não se pode permitir que uma pré-adolescente fique profundamente triste por não ter acesso a um telefone da marca X ou Y.  Não é aceitável que um governo gaste dinheiro em carros topo de gama e depois peça sacrifícios a quem já não os pode dar (não tem a ver com a manhã de hoje, mas é daquelas questões que não se esquecem!). Não podemos permitir que o maior número de pessoas que recebe subsídio de desemprego, corresponde a quem trabalha à socapa e que a minoria está nos que realmente não conseguem emprego… (e podia continuar, continuar…)

Sou, há muito tempo, fã do trabalho da Isabel Jonet e estou desiludida com a grande falta de fidelidade geral, com quem dedicou vinte anos da sua vida em prole de terceiros. Principalmente nesta época, em que a tendência vai para olharmos invariavelmente para o nosso umbigo! A sociedade precisa de pessoas como a Isabel Jonet, tal como precisa de pais responsáveis e de pessoas que não abusem do sistema, precisa ainda que os que têm dinheiro em demasia, não o gastem em roupa de marca para cães…

SOU SÓ EU QUE PENSO ASSIM?

NÃO DEVERIA ISTO, SER SENSO COMUM?

As pessoas adoram queixar-se e percebo bem quem tem razões para tal. Mas os que mais se queixam, os que mais barulho fazem são os que driblam constantemente o sistema, aqueles que têm – sem lhes ter custado a ganhar… E mesmo aquelas famílias, como a minha, que deixaram de fazer as férias onde mais gostam ou de ir almoçar fora, em família, uma vez por semana, simplesmente porque não podem ou porque não estamos em época de aventuras e é preciso poupar em tudo… será que têm razões para se queixar?

CLARO QUE NÃO!

Problema é descobrir que se tem um cancro sem salvação, problema é bater com a cabeça e ficar paraplégico em plena adolescência, problema é não ter maneira de dar comida aos filhos, problema é querer trabalhar e não conseguir (depois de bater a todas as portas), problema é perder um filho ou um qualquer familiar/amigo chegado. Problemas?!? Pensem bem se realmente têm problemas ou se o hábito de nos queixarmos, por tudo e por nada, tomou conta desta sociedade…

Se fizerem este exercício, a grande maioria de vós vai perceber que tem muita sorte com a vida a que tem tido direito.

Termino, contando-vos que nem há muito pouco tempo um grande amigo meu teve um AVC e está, desde então, acamado até hoje. Contava-me ele em tom de grande sinceridade: ” Sabes Mónica…, eu era feliz e não sabia!

Beijinhos a todas e aproveitem o bom que a vida vos dá! Lembrem-se que há sempre pessoas, muitas pessoas com problemas bem mais graves e que mesmo assim são felizes!!

Bom Domingo!

Mónica.

  1. Isilda

    Novembro 18

    Fogo,que dia mais louco!
    Senti muito bem o teu relato,e realmente as pessoas são muito ignorantes até assusta!Não entendo como é possível haver tanta falta de respeito e compreensão e principalmente,paradoxos…gente deprimente!

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