“Não, porque eu não quero!”, por Clara Castela

Outubro 4
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Podia ser uma birra infantil, podia. Mas não era a mesma coisa. Esta reflexão é uma espécie de apologia à autoridade parental, pois a filial conheço-a bem e raras são as vezes em que me associo a ela. Os pais contemporâneos amedrontam-se com a palavra “não”. Têm muita dificuldade em pronunciá-la aos filhos correndo sérios riscos de os desiludir ou de se acharem maus pais. Pois tenho a dizer que os filhos estão sempre garantidos e que a afirmação da negação, em diversas situações, salvá-los-ia de muitas preocupações. Efetivamente a tradição já não é o que era. O “Pai Tirano” de outrora deu lugar ao pai híper cool, mega fixe, bué permissivo, aquele que todas as crianças, adolescentes, jovens “adultos” querem ter e que treme que nem varas verdes quando tem que dizer um valente “não”. E isto torna-se bem mais difícil quando o alvo do “não” conhece as fragilidades do “tirano”. Educar o ouvido para um “não” prepara a criança para os muitos “nãos” que ouvirá pela vida fora. Protege-a de frustrações, desânimos, tristezas e oferece-lhe armas para resistir, ultrapassar, seguir em frente. O atual facilitismo com que as coisas se conquistam assustam-me. Habituar o petiz a ouvir um “não faço”, “não compro”, “não quero que…”, não vou…”, “ não te levo…” dá-lhe a possibilidade de treinar a resiliência, a tolerância, a auto conquista, a confiança, a autonomia, entre tantas outras competências que nos preparam para intempéries, infortúnios, desilusões que teremos ao longo da vida. Por isso “dizer não” é um ato de amor, amor parental que nunca se perderá. Ah…não tenham medo de partilhar esta minha reflexão!

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