“Que luz estarias a ler?”, por Clara Castela

Outubro 10
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Vou dar-vos a conhecer um pouco de mim. Adoro livros. Gosto do cheiro, gosto de folhear, gosto de me entregar enquanto leio e gosto de me rever enquanto me entrego. Gosto de saber mais para além do que os meus olhos leem, gosto de me conhecer e gosto de gostar de livros. Gosto especialmente de livros para a infância. Se bem que os livros para a infância vão dos oito meses aos “oichencha e oitcho” anos (onde é que eu já ouvi isto?!).

Há bem pouco tempo fui ao Fólio –Festival Literário de Óbidos – e perdi-me num Mercado Ilustrado. Os vendedores eram os próprios autores e ilustradores. O ambiente era descontraído, alegre, cheio de histórias ilustradas e corações generosos. Conheci a ilustradora Ana Biscaia e logo ali conheci a sua arte. A Ana deu-me a conhecer um pequeno grande livro. As ilustrações da Ana e o texto de João Pedro Mésseder provocaram-me o olhar. A Ana leu o livro para os feirantes presentes e falou dele num tom de vos emocionado.

“Que luz estarias a ler?” conta a história de uma criança que procura livros no meio dos escombros da sua escola bombardeada pelo exército israelita, na faixa de Gaza e que com a esperança na ponta dos dedos tenta salvá-los. “Quando a guerra terminar, levarei estes livros para a nova escola. Sobra-me tempo para descobrir o que Kalil andava a ler. Será, certamente, o que irradiar mais luz das suas páginas brancas.” Não é difícil perceber porque me tocou. O livro é dedicado à memória das cerca de cinco centenas de crianças mortas pelos bombardeamentos em Gaza, em julho e agosto de 2014. Pedi à Ana para me autografar o livro e a Ana escreveu “Este livrinho pela PAZ…”.

menina-de-gaza

Os livros têm este poder. O poder de nos emocionarmos, o poder de nos provocar, o poder de nos fazer viver as histórias que contam. Despertar as nossas crianças para o mundo em que vivem é fundamenta. Apelar à Paz, à solidariedade, à entreajuda, ensinando-as a ser pessoas atuantes num universo onde o bem e o mal se confundem e onde crianças como elas perdem a inocência e a vida pelas mãos de adultos loucos e ávidos de poder. Educar para a Paz e para os Direitos Humanos é uma ação premente. Salvar livros, reconstruir escolas e ler páginas em branco será certamente a Luz que Kalil estaria a ler.

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