Seremos bons exemplos para os nossos filhos?

Junho 3
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Olá, olá. Ando cansada e nestes últimos tempos tenho saído mais tarde do escritório. Hoje quando vinha para casa ocorreu-me algo que me tem vindo a preocupar. Em teoria nós mães, pais, temos de ser bons exemplos para os nossos filhos. Não basta dizermos o que têm, ou não, de fazer. Devemos invariavelmente fazer bem para que nos tenham como bom modelo e nos possam seguir em tudo o que são as nossas melhores qualidades. Acho que isto todas sabemos. Mas a responsabilidade aumenta quando não estamos a maioria do nosso tempo com as pessoas que pusemos no mundo. Se fizermos as contas, durante um dia normal de semana, o período de qualidade gozado entre pais e filhos reduz-se a pouco mais de duas ou três horas, principalmente quando são pequenos pois deitam-se mais cedo. E, para complicar a coisa, neste ínfimo período ainda temos tarefas de casa a cumprir e quase por regra encontramo-nos estafadas. Por vezes, com muita pena minha, por mais que puxe conversa com as minhas piolhas (de 6 e 8 anos) também há dias em que pouco lhes apetece contar, ou querem ver desenhos animados ou têm de fazer trabalhos de casa, ou… Então e o tal exemplo que temos mesmo de passar? Será só ao fim de semana? Chegará o passado durante a semana?

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No meio do trânsito, a tentar entrar em Cascais, comecei a debitar os bons exemplos que realmente tenho passado e encontrei vários que não são assim tão bons.

1 – Como doces e porcarias à frente delas ou quando vou almoçar fora ao fim de semana, acabo por me desforrar das refeições pouco calóricas dos dias de trabalho e vingo-me bem em frente aos seus pequeninos olhos. Com a fruta e a sopa é igual, mando-as comer mas comigo disfarço… Agora estou numa dieta saudável, mas nem sempre foi assim. Péssimo exemplo!

2 – Fumo. Durante a semana elas nem reparam. Mas ao fim de semana, há sempre um café numa esplanada ou um cigarro puxado na varanda para arrematar um jantar. Errado!

3 –  Não contem a ninguém mas eu ao fim de semana nem sempre asseguro a casa impecável. Aproveito mais para descansar do que propriamente para arrumar, salvo rara excepção. Mau exemplo!

4 – Elas já têm alguns toques pirosos, sempre preocupadas com o cabelo ou com as roupas que vestem e por mais que eu pense que é por causa dos programas de televisão ou da influência das amigas, não é bem assim. Sou eu que lhes passo essas preocupações ainda descabidas para estas idades. É o pintar as unhas, são as tranças apinocadas, eram os lacinhos que lhes adorava pôr quando eram mais pequenas, são os vestidinhos com que as adorei ver… tudo coisas que na realidade não lhes acrescentam ou acrescentaram felicidade, são fúteis e proporcionadas pela vossa blogger. 🙁

5 – As escolhas dos passeios de férias são muitas vezes lúdicas mas podiam ser mais pedagógicas. Tenho por regra tentar que estejam sempre bem dispostas mas sei que há muitos museus, monumentos e exposições onde já as poderia ter levado, mesmo que não lhes fosse fácil, a principio, aprenderem a apreciar. E até a escolha dos próprios desenhos animados ou destas séries que por vezes as hipnotizam, eu me rendo por parvoíce ou preguicite. As Violettas e afins… não lhes oferecem nada de bom mas elas pedem tanto que levianamente acabo por dizer que sim. Rong!

6 – O ajudar nas tarefas de casa deveria ser obrigatório mas como é tão mais fácil ser eu a fazer, ou por ser mais rápido ou por estar com menos paciência para ensinar, acabo muitas vezes por não as educar nessas disciplina. Podia explicar como se fazem e depois ser exigente nesse sentido e sei que seria construtivo. Mas confesso-vos que opto algumas vezes por fazer sozinha em vez de partilhar certas obrigações. (até com o meu marido erro desta maneira ;()

Resumindo, são tudo coisas que elas não deveriam imitar e que quando forem mães não deveriam passar aos seus filhos.

Depois há o lado bom, onde entram os se faz favor e os obrigados, o levantar quando chega alguém mais velho, o sentido de honestidade e de trabalho, o esforçar-me para ser boa mãe, profissional e mulher ao mesmo tempo. Etc, etc. Exemplos que acabo por ir passando aos bocadinhos mas que não sei até que ponto é que consigo mesmo que elas os entranhem nas suas personalidades. Aliás, tenho mesmo muito medo que o pouco tempo que passe com elas seja já por si um mau exemplo e ineficaz para a responsabilidade de mãe que assumi no dia em que nasceram. Não sei se também vos acontece mas estas coisas assustam-me. Pensar que não sou perfeita e que no fundo elas mereciam mais e melhor acaba por me arrepiar um pouco (pela negativa).

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Desculpem este desabafo. Agora, já em casa, decidi optar por assumir que não sou perfeita e que os melhores exemplos são mais do que os maus. Porque se for exigente demais comigo mesma acabarei por nunca estar descansada e não conseguirei “curtir” minimamente esta aventura de ser mãe pois estarei em constante auto-pressão. Será egoísmo meu? Desculpas para me sentir melhor? Não sei. Só espero que corra tudo bem…

Beijinhos,

Mónica

Nota – Não nos podemos também esquecer que:

Mãe

 

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  1. Tantas vezes que tive dúvidas dessas! Parabéns pelo texto e vai correr tudo bem…

  2. Vai correr bem, ninguém é perfeito, nós mães é que queremos muito ser. É sinal que somos boas mães

  3. Também me tenho feito essas perguntas muitas vezes…
    Não somos perfeitas, mas fazemos o melhor que podemos, certo?
    🙂

  4. Olá Mónica, gostei muito do seu texto, porque acho que foi sincera. E sem medos escreveu os maus exemplos que dá.
    O texto até parede que foi escrito por mim 😀 só que em vez de ter 2 meninas, tenho 2 meninos. Mas é bom refletir sobre os nossos erros e mudar os nossos comportamentos!!

  5. Rita

    Junho 3

    Ser mãe é dos papéis mais dignificantes que um ser humano pode desempenhar….Questionarmo-nos ou sermos ” chatas ” só significa que de facto AMAMOS as nossas ” criaturas “…Parabéns pela franqueza do seu texto!

  6. Niki

    Junho 3

    “Não contem a ninguém mas eu ao fim de semana nem sempre asseguro a casa impecável. Aproveito mais para descansar do que propriamente para arrumar, salvo rara excepção. Mau exemplo!” – Não acho que este seja um mau exemplo, mostra que não é perfeita e que não é a casa e a organização que são a prioridade mas sim ela, você e a sua família. Acredite eu conheço bastantes mães que tem sempre a casa impecável e ao fim de semana pelo menos o sabado os filhos tinham de sair de casa com o pai para elas limparem a casa… e depois no resto da semana era só raspanetes porque as coisas se desarrumavam. Por isso viva um pouco de caos e a certeza de que as aproveitamos ao máximo.

  7. Mónica,

    Ninguém é perfeito. Seja como for, estou certa que as suas meninas têm muito orgulho na mãe porque faz o melhor que pode.

    Beijinho

  8. olá Mónica!
    Como a compreendo… tenho 1 filha com 2 anos e não consigo dar-lhe a atenção que merece… umas vezes é o trabalho, outras a casa, como também o stress… enfim…

  9. Nome

    Junho 4

    Parabéns pelo texto. Resume as minhas principais crenças no que se refere à maternidade.
    O dia em que fui mãe traçou uma linha entre quem eu era, e quem sou agora. Ao longo do tempo percebi pelo contacto com o meu filho e os pequenos que nos rodeiam que o exemplo é a arma educacional mais forte de que dispomos. Não existe outra com tanta eficácia.
    Preocupa-se com os maus exemplos, e faz bem. Mas lembre-se que até esses maus exemplos podem e devem ser canalizados para referência e usados como material educativo. Nós, seres humanos não aprendemos com teorias e sim com experiências. Use essa sua experiência, para mostrar às suas pequenas que ninguém tem de ser perfeito e que os erros podem e devem ser corrigidos.
    Também não tenho a casa impecável. A roupa para passar, então é qualquer coisa com que luto todas as semanas, e que muitas vezes opto por ir passando à medida que preciso. Morre alguém com isso? Não. Mas tento que o meu filho perceba que existem coisas mínimas que têm de ser asseguradas para o bom funcionamento da casa, antes de nos darmos à “perguicite”. E como faço isso? Assegurando que não há loiça para lavar, e peço-lhe ajuda. Um dia ou outro, a preguiça vence, e lá nos vamos deitar sem a lavar. No dia a seguir, peço-lhe ajuda com um qualquer comentário do género “Que porcaria. Não te parece? Deve estar aí uma festa de micróbios.” E ele começa a descrever a festa e a fazer perguntas: lava-se a loiça.
    Mas, apesar disso tudo eu acho que a organização social tem de mudar e permitir que os pais sejam isso mesmo, e não apenas um nome no boletim de registo com quem os pequenos se cruzam umas horas por semana.
    O mundo mudou. Temos cada vez mais tecnologia que devia estar ao nosso serviço, e não está. Tecnologicamente evoluímos muitíssimo, socialmente ainda está muitíssimo por fazer. Está na hora de começar essa evolução, de por em prática novos e melhores modelos educativos para ver se erradicamos epidemias como o racismo, bullying, preconceito, fanatismo, etc… desta Terra. Para isso, é necessário que a Humanidade use com inteligência os recursos que desenvolveu ao serviço de todos e não ao serviço de alguns com poder económico. O Mundo é das gentes e não do dinheiro.
    A sociedade tem de se organizar para que os pais sejam presença total nos primeiros 2/3 anos de vida dos pequenos (desenvolvimento emocional e afectivo), que os pais sejam presença constante até aos 10/12 anos, e que os pais sejam presença de apoio daqui para a frente (sempre que tenham feito bem o seu trabalho anterior). Só poderemos sonhar com uma sociedade melhor quando isto for possível.
    Acredito na liberdade de forma absoluta. Mas a liberdade é um ser de 3 pontas: respeito pela liberdade alheia, por nós próprios e responsabilidade. Quando escolhemos a maternidade precisamos ter consciência da obrigação e responsabilidade que é termos a liberdade dos nossos filhos nas mãos durante tanto tempo. É preciso dar o exemplo.
    Eu tinha uma vida preenchida, e como você comecei a questionar-me. Não podia ser assim: ter um filho para estranhos criarem. E com muito sacrifício (ser chamada de malandra e ver o meu rendimento cortado a meio, e a ter de deixar de comprar e consumir tanta porcaria) MUDEI. Decidi ser mãe. Fiz as contas, estabeleci limites e cortei o meu horário laboral ao meio. Loucura da qual não me arrependo nada. Não tarda, o meu herdeiro terá as bases construídas para seguir e eu continuarei o meu caminho. Faz parte da condição humana, ser feliz, e assumir mudanças. Não quero ser moralista, apenas mostrar que existe sim outras formas, se decidirem tentar. Até porque precisamos de muitos bons exemplos, que se multipliquem, para que o sonho de uma vida justa e digna seja realidade. Boa semana! E mais uma vez Parabéns! Excelente post!

  10. Vera

    Junho 4

    Olá Mónica!
    Compreendo muito bem e ás vezes é bom ouvir um desconhecido ouvir dizer o que disse…
    Pois por muito que queiramos ser perfeitas, não é fácil…
    Sinto-me mais confortável por haver mais gente que afinal também não é “Mãe Perfeita”.
    1Beijinho

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