Slime e os perigos associados

Dezembro 20
3 Comments

Olá, olá! Caras mães, peço-vos que dêem alguma atenção aos perigos relacionados com aquilo a que as crianças chamam de Slime.
Acredito que a maioria de vós, com filhos entre os 6 e os 13 anos, já se tenha deparado com esta brincadeira que está na moda em Portugal e em muitos outros países.
Então vamos lá analisar os Prós e os Contras em causa. Começo pelos Contras pois as mais-valias da brincadeira são redutoras, apesar do enorme sucesso que o Slime tem feito no universo infanto-juvenil.

Slime, quais os perigos

1 – Para quem não sabe, o Slime é criado pelas crianças onde as próprias têm de manusear vários produtos, entre eles a cola, bicarbonato de sódio, espuma de barbear, sabão em pó, corantes, entre vários artigos químicos possíveis. Atenção que nenhum destes produtos, salvo alguma excepção específica, foram testados para serem manuseados repetidamente por peles de crianças ou jovens. Quero com isto dizer que as mães estão sem a noção exacta do mal que estes produtos poderão fazer à pele, no futuro próximo ou mais distante. Para além do contacto com a pele, há também a inspiração constante dos respectivos cheiros, todos eles intensos e misturados. Ora, se nada disto foi testado para crianças e todos os brinquedos o são obrigatoriamente, porque raio deixamos os nossos filhos manusear vezes sem conta esta real porcaria viscosa?
E é bem enganadora. Pois quando conseguem fazer um Slime “aceitável” entre a comunidade infantil, quer isso dizer que é fofinho, tem cores engraçadas, brilhantes e até missangas poderão fazer parte da sua decoração.

Enquanto tudo isto se passa, temos a criançada a mexer onde não deve. Dou como exemplo o detergente de máquina, onde nos sugerem que utilizemos uma colher própria para não estar em contacto com a nossa pele. Mas com a criação do Slime já achamos normal o toque directo no detergente em pó? Qual a lógica envolvida?

2 – Mas os Contras do Slime não ficam por aqui. A procura constante pelo consumo desta “porcaria” é viciante, posso até arriscar. Se repararem, não lhes chega fazerem um Slime. Depois de pronto, um ou dois dias depois fartam-se e já querem criar nova coisa viscosa. E lá vão buscar as diferentes matérias primas para um acto que até pode ser considerado como positivo em termos criativos, caso não implicasse um consumo desmedido de artigos normalmente utilizados para outras funções. Artigos esses prejudiciais para o ambiente pelo que deveriam ser consumidos mediante as necessidades de cada pessoa e não num registo de total desperdício. Mas considero ainda mais perigoso esta vontade desmedida de querem fazer mais e mais. Não lhes chega um ou dois. Há tutoriais de milhares de Youtubers e Instagrammes a ensinar a fazer Slime, com formatos e feitios dispares. Todos dirigidos a crianças com menos de 12 anos. Alguns até a lançar desafios completamente parvos (como tomar um banho em slime é um deles). Assustador, um pouco não acham?

3 – E quando vão parar ao hospital? Já são dezenas os casos no último ano, em Portugal e Brasil, de crianças que sem querer ou por querer comem/ provam Slime. Imaginem o que faz ao corpo de uma criança a ingestão deste mix de substâncias. Muito perigoso, certo?

Slime quais os perigos
4 – Termino os meus Contras com a questão financeira. Se os pais não limitarem esta brincadeira, quando derem por isso já não há espuma de barbear, cola ou detergente em casa. E é quando não pedem para ir especificamente ao supermercado comprar a receita do dia. E a pressão entre eles é grande. Quem fez o Slime mais giro, mais mole, mais elástico, quem tem novo modelo, quem tem o mais original, etc, etc, e no meio disto tudo vão rios de dinheiro e de desperdício (o Slime quando perde o interesse da criança não serve para nada).

E como prometido, também me sinto obrigada a apresentar alguma mais-valia. Nem que seja para justificar o enorme interesse dos nossos filhos, sendo que todos eles são muito inteligentes :).

A criação do Slime obriga a imaginação, a ter alguma disciplina e precisão, e ao facto de poderem ter a primeira aventura como “pequenos cientistas” (pois fazem as suas primeiras experiências químicas). Mas será que compensa comparando com tamanhos riscos? Não me parece.

Assim sendo, a partir de hoje passam a haver regras em relação à produção de Slime em minha casa. Limitei os produtos a quantidades mínimas, comprei luvas de siliconte e vou ler-lhes este texto para não acharem que estou só a falar com elas. Esta preocupação deveria ser transversal a todas as casas onde esta situação se passe. Também está a acontecer aí desse lado?

Até já, beijinhos,
Mónica

  1. vania

    Dezembro 20

    Obrigada pela partilha e pelo alerta. Aqui em casa, ainda, não chegou essa moda, nem a conhecia. Agradeço porque já fico alerta para as próximas ideias!

  2. Luis Monteiro

    Dezembro 25

    é um verdadeiro atentado à saúde!

  3. Sergio Mancuso

    Dezembro 13

    E há também, Mõnica, a questão do meio ambiente, digo, os tais slimes são biodegradáveis ? certamente que não, já que neles há uma enormidade de produtos químicos, isopor, corantes, etc, conforme você bem observou. Gostei da sua matéria, parabéns.

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