Tratar por tu ou por você, aquela questão!

Outubro 8
6 Comments

Olá, olá! Tratar por tu ou por você, aquela questão! Sorry, mas para mim é uma não questão! Há muito tempo que não escrevia um post para lançar a discórdia, mas depois de um comentário que li aqui no blog sobre a forma como as minhas filhas me tratam ou como eu as trato, não pude ficar calada.

Sim, é verdade, as minhas filhas tratam-me na terceira pessoa (não é por você!) e eu as elas. Qual é o problema?! Já no outro dia vi no facebook, num daqueles grupos de mães, uma grande discussão em que as mães se ofendiam umas às outras porque achavam horrível que alguém tratasse os filhos por “você”. Chegou a pontos tão extremos que quase que se sentiam no direito de chamar alguma entidade de proteção de menores pela maldade que aquelas mães estavam a fazer aos filhos.

Antes de mais, e agora vou dar uma de Paula Bobone, não se trata ninguém por “VOCÊ”! Não se diz “você sabe?” ou “você pode ir?”.  As pessoas tratam-se, isso sim, na terceira pessoa. Usa-se, por exemplo, “A Mónica sabe?” ou “Pode ir?”. Esqueçam lá o você, que é feio e não se diz.

Depois, não consigo entender o que a relação que os pais têm com os filhos tem a ver com a forma de tratamento! Se se tratam por “tu” ou por “você” (vamos chamar-lhe assim para ser mais fácil), não é relevante. As crianças têm uma relação mais distante dos pais por os tratarem por “você”?! Sinceramente, acho essas observações ridículas. Não é por se dizer “tu” ou “você” que se tem mais ou menos relação, mais ou menos cumplicidade e confiança!

A relação que os nossos filhos têm connosco deve-se a tudo o que fazemos, como desfrutamos do dia-a-dia com eles, se lhes damos atenção ou não, se os ajudamos quando precisam, se conversamos com eles, se os tranquilizamos, como os ensinamos, como os mimamos e podia estar aqui a enumerar todos os “indicadores de afecto” que, de facto, são relevantes. A sério, não é pelo tempo do verbo empregado desta ou aquela forma que eu admito que alguém avalie a minha relação com as minhas filhas!

Digo-vos que sempre tratei a minha mãe por “tu” e o meu pai por “você” e nunca me fez confusão nenhuma, nem acho que tenha uma relação mais ou menos próxima com um ou com outro pela forma como falo com eles. Eu e o meu marido optámos por ensinar às nossas filhas que as pessoas mais velhas são para tratar por “você” e nós somos mais velhos, por isso estamos nesse grupo. E nós também as tratamos por “você” e só muito raramente, em brincadeiras ou quando nos zangamos, é que fugimos para o “tu”. Foi assim que fomos educados e é assim que queremos que as nossas filhas aprendam, pode? Não acho que é melhor, nem pior do que quem ensina a tratar por “tu”!

O que eu acho ridículo, e já vi este assunto em acesos debates em grupos de maternidade, é a necessidade que as pessoas têm de criticar quem faz as coisas de forma diferente das delas! Porque é que acham que a sua forma de educar é melhor do que a dos outros?! Aliás, desde quando é que ser mãe se tornou numa competição para ver quem é a maior sumidade em questões pedagógicas?!

É porque têm parto normal ou cesariana, porque dão de mamar ou não, porque andam na creche ou não… Deixem de criticar os outros e não se achem melhores, porque não são! Somos todos iguais, estamos cá todos para aprender a sermos pais/mães, a fazermos o nosso melhor! Não é só porque a forma de a outra pessoa fazer é diferente da nossa e nós não concordarmos, que temos o direito de julgar ou tentar rebaixar ninguém! Hoje em dia toda a gente julga, acusa, atira pedras… Eu própria estou aqui a fazer o mesmo, a julgar quem julga, mas sinceramente não acredito que atirar pedras faça alguém feliz. Essas pessoas deviam julgar-se mais a elas próprias, em vez de andarem por aí a julgar quem faz de outra forma.

Para a minha querida comentadora, o que tenho a dizer-lhe, é que eu vou continuar a educar as minhas filhas como eu quero (o meu marido pode dar umas opiniões 😉 )! Fora isso, quando precisar de ajuda, porque tenho algumas dúvidas como todas as mães, vou continuar a pedi-las a quem acho que me pode dar uma boa opinião. Eu sei que não sou dona da verdade! O resto são apenas vómitos de veneno e não interessam a ninguém! Vão viver as vossas vidas, em vez de andarem a viver as dos outros, pode ser?

Beijinhos e sejam felizes,
Mónica

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  1. us4all

    Julho 1

    Por tu ou por você esse ultimo parágrafo valeu pelo texto todo! Não tenho filhos, não acho muito próxima a forma de tratamento por “você”, mas penso que é por não ter sido assim educada, mas daí a criticar, longe de mim. Se esse lhe parece o caminho mais correcto, pois que assim seja, eu um dia logo verei como farei! Mas que a conclusão do texto é brilhante lá isso é 🙂 Parabéns!

  2. Alda Moreira

    Julho 1

    Olá 🙂 pessoalmente adoro ouvir os pais e filhos tratarem-se por tu. A minha mãe tinha um desgosto enorme porque quando eu era miuda tratava-a na terceira pessoa…depois habituei-me ao “tu”, ao meu pai sempre tratei e continuo a tratar na terceira pessoa, porque nunca senti que houvesse a camaradagem que tenho com a minha mãe e tenho pena que não me sinta a vontade para usar o “tu”; “Tu” , soa-me a intimidade, a brincadeira, a liberdade da boa, não sei explicar…Sempre que ouço um você implicito, seja filhos, seja entre marido e mulher ou irmãos, sinto uma certa frieza…Obviamente não quer dizer nada…Mas a mim soa-me assim!è claro que cada pessoa trata como achar que se ente melhor, desde que haja respeito, amor e carinho isso é o mais importante 😉

  3. BE

    Julho 1

    Não podia estar mais de acordo; sempre assim tratei a minha mãe, avó, padrasto…enfim, fui educada a tratar na 3ª pessoa as pessoas mais velhas, e confesso que também o faço com muitas pessoas mais novas, por questões de respeito e manter nesse caso uma certa distância, por vezes necessária.
    Trato a minha filha por tu e ela a mim, mas em situações de maior stress, por qualquer motivo trato-a até inconscientemente na 3ª pessoa.

  4. ceu b

    Julho 4

    Cara Mónica,
    Subscrevo totalmente!
    Beijimho*

  5. Caela

    Fevereiro 8

    Disse que optaram por ensinar que as pessoas mais velhas se tratam por “ você” e como tal que se incluíam nesse grupo, no entanto também optaram como as tratar por “você”…?!?! Qual a coerência?
    Acho um pretensiosismo desnecessário, e sim, esfria a relação. Só trato por “você” quem não conheço, ou que não tenho uma relação próxima.

  6. Wendy

    Fevereiro 10

    A palavra você sempre foi meia proibida na minha família. A minha avó dizia sempre que o você era exclusivo para tratar a estrabaria. Os meus pais tratam-me por “tu”, mas eu trato-os por “o pai” e “a mãe”.

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