Um ser P-a-r-a-n-o-r-m-a-l, por Clara Castela

Outubro 27
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Se dúvidas houver, uma criança é um ser paranormal, superior, que tem forças e formas de agir (des)conhecidas. Apesar de haver estudos científicos sobre o comportamento deste ser especial, ele é sempre questionável e deixa nos estudiosos muitas interrogações. Só quem com ele convive e se relaciona é capaz de dar algumas respostas sobre a grande variedade de fenómenos que acontecem com este ser sobrenatural.

Ele vai para lá do nor-mal.

É normal que se saiba comportar, que ande sempre asseada, que comprimente com um ou dois beijinhos, que coma tudo até ao fim e de preferência sem se sujar, que brinque ordeiramente e de preferência sem desarrumar, que seja simpática, que lave os dentes, que não reclame quando chega a hora de ir para a cama, que não entre no quarto dos pais sem pedir licença, que coma de boca fechada, que esteja calada no cinema, que não pergunte cinquenta vezes “Quando é que chegamos?” quando vai em viagem, que não diga “não gosto de ti!”, que não peça repetidamente para ouvir a mesma história todas as noites, que caminhe direita, que não limpe o nariz à manga da camisola, que sorria para os pais quando estes a vão buscar à escola mais cedo e ela ainda não teve tempo para brincar, que fique indiferente aos vocábulos “cocó/xixi”…

Uma criança “Paranormal” suja-se, faz birras, é autêntica, não tem filtros, diz o que pensa sem pensar no que diz, faz perguntas embaraçosas, reclama sempre na hora de dormir, tem mil ideias antes do sono acontecer e deseja também que o dia não acabe(eu acho que quer prolongar a companhia dos pais). Numa criança Paranormal as baterias nunca descarregam. Ela não gosta de perder tempo, porque perder tempo é perder os sonhos, e os sonhos de uma criança Paranormal são tesouros cheios de estrelas. Uma criança Paranormal desarruma as brincadeiras, conta piolhos, transforma uma passadeira num tapete de jogo, sabe pelos seus joelhos de que são feitos os muros, gosta de ver os adultos de cabelos em pé fazendo-os sair da sua normalidade.

Uma criança “Paranormal” limpa sempre o nariz à camisola para poupar nos lenços de papel, inunda uma casa de migalhas para que ninguém, lá em casa, se queixe de não ter nada para fazer, fala no cinema para comentar o filme e ri-se de vocábulos escatológicos, só porque gosta de rir!

Será normal? Este comportamento continua a ser alvo de procura de explicações e interpretações da psicologia educacional e das neurociências, mas estes seres ensinam-nos que ser Paranormal no tempo de o ser, é tempo ganho para atingir um estádio superior de “para ser normal” que a sociedade esperará dele… porque ele não gosta de perder tempo, porque perder tempo é perder os sonhos, e os sonhos de uma criança Paranormal são tesouros cheios de estrelas.

 

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